domingo, 18 de novembro de 2012


Possíveis reflexos das eleições municipais goianas para 2014

No Brasil o resultado eleitoral nas capitais tem muita influência nos futuras eleições estaduais. Assim 2012 em Goiânia, ajudou a consolidar a tendência política que vinha se desenvolvendo desde as denuncias contra o grupo de Cachoeira, que atingiu o DEM, o PSDB e o próprio governo e governador Marconi. Durante muitas eleições o eleitorado de Goiás passou a inclinar-se mais para a direita. Mas nesse ano de 2012, sacudido pelas denuncias contra Cachoeira e Demóstenes, o povo está a refletir mais.
A reeleição de Paulo Garcia fortalece o PT e PMDB. Iris Resende sai vitorioso. Marconi, para não sofrer maiores desgastes eleitorais, praticamente evitou participar da disputa ou entrar firme nela. Sabendo que sairia derrotado e que se lutasse iria se desgastar ainda mais, decidiu se omitir e passar ao largo, dedicando-se apenas aos esforços de fazer um bom governo. Para deixar isso ainda mais claro, viajou por 10 dias ao exterior, nos últimos e decisivos momentos das eleições. Jovair do PTB e seus aliados PP, PSDB, PSD e outros, mesmo com um bom tempo de TV ficou muito distante de Paulo Garcia. Os demais candidatos, inclusive do PCdoB, tal como aconteceu em todo o Brasil e em várias eleições, se esvaziaram diante do voto útil no candidato majoritário. Em nosso país o povo ainda acha que perder o voto não é votar errado, mas deixar de votar no mais forte.
Dessas eleições municipais, principalmente de Goiânia, emerge em Goiás um quadro político eleitoral confuso e indefinido. De olho nas eleições de 2014, Iris levou o PMDB a apoiar Paulo Garcia do PT para a prefeitura de Goiania, tentando em troca o apoio do PT para as eleições ao governo estadual de 2014. Mas o PT dividido manteve o silencio. Mesmo assim, baseado em sua experiência e no complexo quadro eleitoral nacional de 2012, Iris apostou todas as fichas em Paulo Garcia, na busca do reconhecimento do PT nacional, de Lula e Dilma. Mas Iris embora fortalecido politicamente está com saúde abalada e poderá não ser candidato. Muitos pmdebistas já buscam outro nome para ser o candidato ao governo do estado. Mas nesse caso o prefeito Paulo Garcia talvez não possa manter o compromisso de apoiar o PMDB, caso não seja Iris o candidato. É que mesmo com Iris o PT pode não se unir. Imaginem sem ele candidato.
É provável que em 2014 o PT nacional venha repetir sua política de deixar os governos estaduais para aliados fortes, em troca do apoio à reeleição de Dilma. Na prática isso significaria apoiar Iris governador em 2014. Embora isso não sido formalizado nesse ano de 2012. Resta saber se Iris será o candidato do PMDB. Afora Iris, em Goiás não tem nenhum nome forte da base da Dilma para ser lançado. O nome de Maguito Vilela tem sido ventilado. E muitos já querem que o PT tenha seu candidato próprio para 2014. Isso significaria a completa divisão da base Dilma-Lula e pode levar a uma proliferação de candidatos.
Já surgiu o nome de Gomide, prefeito de Anápolis, irmão do deputado federal Rubens Otoni, presidente estadual do PT. Gomide foi reeleito com expressiva quantidade de votos. Mas Paulo Garcia também é um nome forte e de outro grupo petista. Que mais temos em Goiás dentro da base da Dilma? O Junior do Friboi. Mas o PSB ainda é pequeno e embora tenha crescido no Brasil, é fraco em Goiás. Junior pode crescer muito, mas vai depender de sua capacidade política de juntar interesses, de canalizar interesses e não de tentar enquadra-los. Alem do mais já se fala que o governador Eduardo, seu presidente nacional, possa ser levado a enfrentar a Dilma nas urnas em 2014. Vanderlan também coloca seu nome para disputar. Deixou o PMDB por causa disso e agora busca um novo partido. Assim em Goiás a base da Dilma ainda está sem um candidato de fácil visibilidade no cenário. A consequência poderá ser o lançamento de vários candidatos da sua base disputando entre si o governo goiano em 2014. A divisão das forças, sem um líder forte.

Marconi poderá tentar a reeleição em 2014.
Embora tenha falado muito de que deverá deixar a política, o governador Marconi poderá interpretar o resultado das eleições municipais em Goiás, como um estímulo para continuar. Exceto Iris Resende, não existe um nome com liderança pessoal maior que Marconi. Nas eleições desse ano, como já estava fragilizado pelas denuncias o envolvendo com o cachoeira, ele evitou ampliar esse desgaste. Sabendo da derrota certa, passou ao largo das eleições em Goiânia. Jovair se fortaleceu enquanto líder, mas não tem condições de unir a base marconista e nem de disputar com condições de vitória. Os lideres maiores dos partidos da base de Marconi ficaram também à margem da disputa em Goiania. Assim evitaram um desgaste maior. O futuro de Marconi tem tudo a ver com o futuro do PSDB, que sai abalado pelas eleições de São Paulo.
Em São Paulo Haddad saiu vencedor. Serra e PSDB como os grandes perdedores. Mesmo durante a campanha, quando Serra já descia nas pesquisas, FHC disse que ele havia errado ao decidir aparecer como conservador junto de Malafaya e também individualista por não levar Aécio Neves para seu horário eleitoral. Ou seja, FHC está se afastando de Serra e seu grupo. Falam que o PSDB vai se reciclar, ou seja, rifar a liderança do Serra perdedor. Na imprensa se comenta que como consequência, Serra deverá ir para o PSD de Kassab.
Em Goiás já se fala que também Marconi poderá ir para o mesmo PSD, que apoia o governo Dilma, está na base política do governo Dilma. Nessa situação tentando se reciclar, Marconi pode ir para o PSD e se candidatar para reeleição. Seria uma grande confusão política. Ele apoiaria Aécio contra Dilma? Com o apoio de quase 80% dos prefeitos de todo o pais, Dilma está mais forte que nunca e o PSDB, DEM e todos seus lideres estão sem rumo, confusos e perdidos. Mas como Marconi poderia ficar no PSD e tentar não se chocar com seu amigo e parceiro Aécio? Como fazer esse jogo? Se priorizar a própria pele, pode ser levado até mesmo a apoiar Dilma, em busca de sua reciclagem e tentar a reeleição. Aliás o governo federal acaba de viabilizar 1,5 bilhão para seu governo. Por isso, tudo é possível de acontecer. Caso isso ocorra poderá ser um candidato forte ao qual as oposições terão de enfrentar. Por isso, esse jogo de que não será mais candidato e que deixará a política em Goiás deve ser questionado pela lógica dos acontecimentos. 

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